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O intercâmbio sempre esteve associado à imagem de adolescentes ou recém-formados que viajam ao exterior para aprender outro idioma. Com o tempo, essa vivência internacional deixou de ser exclusividade de jovens profissionais e passou a ser indicada para todas as faixas etárias como uma experiência importante para crescimento na carreira ou desenvolvimento pessoal. Mas para trilhar esse caminho, os especialistas recomendam ter clareza sobre os objetivos da viagem e traçar um bom planejamento antes de embarcar.

“É importante pensar no momento profissional e de vida, além de observar o contexto econômico, já que em épocas menos aquecidas, diminui o volume de oportunidades para movimentação de carreira e promoções internas”, pontua Francis Nakada, consultor de carreira sênior da consultoria Produtive.

Aliada a essa reflexão, é preciso identificar a principal finalidade do período lá fora. “Tem de fazer sentido e se encaixar no plano de carreira ou pessoal. Pode ser desde a fluência em uma nova língua a um curso de especialização ou uma pós graduação”, diz Karin Parodi, fundadora e diretora­ geral da consultoria Career Center.

A preparação também envolve montar uma reserva financeira, assim como buscar informações sobre o destino, a cultura local e as dificuldades que podem ser encontradas. “Procure alinhar essa decisão analisando o segmento de mercado, a área e o modelo de gestão da empresa onde atua ou pretende trabalhar”, recomenda Nakada. No caso de quem está empregado, a orientação é compartilhar a decisão com o gestor, porque há empresas que permitem licenças não remuneradas.

Manter o networking aquecido é condição fundamental, dizem os especialistas. “O profissional não pode esperar para fazer contatos com empresas ou consultorias apenas na volta”, ressalta Karin. Isso inclui atualizar informações em redes sociais profissionais, como LinkedIn, e ficar de olho em sites de vagas de emprego.

Além de aprimorar outro idioma, as vantagens de um intercâmbio vão desde adquirir novos conhecimentos e descobrir uma cultura diferente até ganhar maior autonomia. “A pessoa aprende a sobreviver fora das fronteiras conhecidas”, diz o psicanalista e consultor de empresas Gilberto Guimarães, sócio da GG Consulting.

O amadurecimento profissional é mais um benefício da vivência em outro país, diz Rodrigo Vianna, diretor da empresa de recrutamento Talenses. “A pessoa se torna mais curiosa e quebra estereótipos porque vai viver em outra realidade cultural, sem contar que aprende a se virar sozinha”, destaca.

Segundo ele, a experiência no exterior é um item que conta a favor não apenas para o currículo, mas também em entrevistas de emprego. “O fato de ter ficado alguns meses fora é um assunto que ajuda a ‘quebrar o gelo’ na seleção, por exemplo”, diz.

Mas fazer cursos fora não e suficiente para garantir ascensão profissional. “0 que viabiliza isso e um conjunto de fatores, como comportamento, conhecimento e atualização”, diz Nakada, da Produtive. A exceção, diz, e adquirir fluência em um idioma, principalmente o inglês.

É amplo o leque de países que recebem brasileiros para períodos curtos ou longos de estudo de um idioma, lembra Bruno Passarelli, CEO da agenda de intercambio Descubra o Mundo. “A finalidade de fazer um intercambio influencia no destino,  na duração, assim como no tipo de escola e programa”, explica. Por exemplo, para quem domina o inglês, mas precisa aperfeiçoar a fluência com objetivo profissional, uma opção é o curso de inglês para negócios, que foca em vocabulário e jargões técnicos de administração e marketing.