Com a apresentação do PEC de reformulação do sistema de previdência no Brasil, o governo federal trouxe o tema de aposentadoria para o centro das discussões. Essa é uma questão que sempre foi muito comentada por especialistas e profissionais que tratam do tema, mas que não entrava na lista de prioridades para discussão. A proposta está apresentada, mas o texto final dependerá dos debates a serem conduzidos, e só saberemos as novas regras ao final das votações

Podemos destacar três pontos nessa iniciativa, a importância da discussão sobre o tema de aposentadoria e qual o sistema que o pais quer e precisa. A premência de sua inclusão na pauta de temas fundamentais e o reforço da necessidade das pessoas definitivamente pensarem no futuro e principalmente se planejarem e tomarem as rédeas do seu plano de ação.

As linhas da PEC estão propostas, envolvendo a condição de aposentadoria exclusivamente por idade, com a extinção da aposentadoria por tempo de contribuição. Também prevê o fim da diferenciação da aposentadoria entre homens e mulheres, complementada pela diretriz geral de diminuir o máximo possível a existência de regimes diferenciados de previdência (parlamentares, funcionalismo público e muitas outras). Outra diretriz é a alteração na forma de cálculo do benefício, partindo do tempo mínimo de contribuição de 25 anos. Enfim, essas são as propostas iniciais, mas que com certeza serão alterados pelas instâncias de discussão previstas na tramitação da PEC.

Com certeza a questão previdenciária e das aposentadorias, aliada à transição demográfica que está em curso no país, trazem vários desafios para os diversos envolvidos, entre os quais podemos destacar.

No âmbito da sociedade, a definição de qual será o modelo de aposentadorias mais adequado e viável e também o respectivo sistema de custeio que seja suportável e garanta a sua sustentação. Além desse, o Brasil tem o desafio de conviver com uma distribuição etária na qual a parcela das pessoas com mais de 60 anos só tende a aumentar, implicando na revisão do modo como a sociedade encara esse extrato da população.

No âmbito dos governos, a redefinição de políticas públicas que incorporem a atenção à população com mais idade, gerando um reequilíbrio nos focos de atenção dos programas e investimentos públicos. Além do desafio constante de equilibrar os respectivos orçamentos. Além de acompanhar a evolução do mercado de trabalho e propiciar condições econômicas e de legislação que viabilizem a geração de oportunidades de atuação profissional para as pessoas, em todas as fases da vida.

No âmbito das empresas e organizações, o desafio de tornar produtiva e harmoniosa a convivência de quatro ou até cinco gerações no espaço organizacional. Adicionalmente a necessidade de revisão de seus princípios e políticas com relação à aposentadoria. Eventualmente, identificar novas formas das pessoas se vincularem às empresas para prestação de serviços. Também se destaca o desafio das empresas estimularem e criarem condições para que as pessoas sejam incentivadas a pensarem no seu futuro.

No âmbito das pessoas, emerge a necessidade de conscientização quanto ao seu papel primordial de reflexão, planejamento e condução de suas trajetórias (pessoais e profissionais). Aliado a essa visão também se destaca a necessidade de constante acompanhamento e ajuste às condições de mercado. Entretanto, destaca-se a necessidade de que as pessoas estabeleçam seus objetivos de vida, incluindo a independência financeira no longo prazo e, principalmente, definam suas prioridades e construam o seu futuro.

Enfim, o tema ficará durante muito tempo em pauta e, sejam quais forem as regras de aposentadoria que no final das discussões serão aprovadas, o planejamento para futuro é fundamental. Estabelecer nossos objetivos de vida e carreira nos ajuda a focar nossa atenção e energias, além de direcionar nossas ações e tomadas de decisão.

Esse é um processo que exige reflexões, compartilhar ideias, escolhas pessoais e ações focadas, que são a linha central dos programas de planejamento de vida e carreira (individuais e em grupos) que, com satisfação, desenvolvemos na Career Center.

Fernando Dias – Diretor de Consultoria