Blog

Home  /  Blog

Por que é tão difícil mudar?

12 junho, 2018

A estabilidade é uma condição desejada pela maioria das pessoas. É uma necessidade emocional básica estarmos minimamente preparados para o que está por vir. Conseguimos suportar e administrar oscilações e instabilidades desde que em doses razoáveis.

É impensável, embora alguns grupos sociais estejam a isso sujeitos, aceitar de bom grado uma existência onde o inesperado é regra, e a estabilidade e segurança, uma exceção.

Todos sabemos o quanto é importante aceitarmos novas situações. A própria vida está sujeita a mudanças necessárias para o seu desenvolvimento. Muitas das alterações por que passamos são condições “sine qua non” para o amadurecimento e para que a vida siga seu curso natural. Para citar alguns exemplos de mudanças e apenas as físicas/fisiológicas pelas quais passamos ao longo de nossa história de vida, podemos citar: o amadurecimento físico que nos permite respirar fora do útero ou ainda nos alimentar de sólidos após alguns meses de vida, o engatinhar, o andar, o falar, o escrever, a vivência da puberdade, maturidade e velhice e suas implicações emocionais e, naturalmente, a morte.

Reconhecemos desde sempre a importância das mudanças, e, ainda assim, nos sentimos despreparados para enfrentá-las.

Encontramos na formulação das bases das teorias freudianas a constatação (óbvia para nós hoje), de que o homem busca sempre o “estado de satisfação” de suas necessidades. Seu desejo mais primitivo é o de estar “satisfeito”, ou seja, “confortável”. Estar confortável significa não ser incomodado por circunstâncias que provoquem alterações fisiológicas e emocionais, ou seja: que não provoquem mudanças !

Por este motivo sentimo-nos tão incomodados quando obrigados a mudar. Embora sejamos impelidos a crescer e nos desenvolver, a experiência é em si percebida como “desagradável”, por este motivo a rechaçamos.

Todas as vezes em que precisamos falar de mudança para as pessoas buscamos nos cercar da maior quantidade possível de argumentos, além de buscar reduzir o desconforto ao máximo, atrelando às mudanças ideias de crescimento, sucesso, superação de obstáculos, amadurecimento pessoal e vitória. Temos a missão de fazer o interlocutor compreender que precisa aceitar as mudanças e, ainda por cima, assumir responsabilidades sobre elas, agir, tomar nas próprias mãos o controle das mudanças que precisa fazer. Porque, se não o fizer, terá fracassado.

Tememos o novo e seus possíveis resultados desastrosos.

Tememos ser visto como aquele com ideias tolas que não deram certo. Sermos ridicularizados pelas escolhas que fizemos. Precisamos nos sentir aceitos e inseridos no mundo.

Num cenário onde ideias erradas, ainda que bem intencionadas, sã passíveis de punição, inovar, quebrar regras, propor mudanças não para qualquer um.

Somos herdeiros, ninguém há de negar, da nossa cultura colonialista impregnada de valores católicos em que a ordem e os bons costumes não podem ser violados, se quer questionados. Embora neguemos a importância destes valores nos dias atuais, está claro que nossa cultura ainda vive sob a égide destes valores. Nesse contexto é mais cômodo para um profissional (de qualquer área) escolher o caminho fácil das escolhas já feitas, por fazer “mais do mesmo”, renomear velhos conceitos.

Em organizações onde a cultura colonialista predomina, fica difícil esperar que os funcionários inovem, testem novas ideias e formulações, pois é preciso manter as coisas em seus lugares. E aquele profissional, já com receio natural de enfrentar mudanças, e que rejeita o inesperado, confortavelmente se acomoda.

Por sorte, destino, o mais correto dizer, por imposição do mercado, o mundo corporativo tem, já há alguns anos, repensado a maneira de lidar com seus “recursos humanos”, forçando-se a compreender sua atuação enquanto estratégia de negócio. Hoje escutamos a máxima: “nosso RH é estratégico”.

Com essa nova concepção e forma de lidar com os profissionais nas empresas a área de RH, felizmente, assume um novo papel. Passa a ser responsável por propor mudanças na cultura quando necessário, preservando-a e a seus valores, garantindo o alinhamento dos profissionais a estes, por meio da atração e manutenção dos talentos. Sempre com o objetivo claro: trazer os melhores resultados para o negócio.

É para este “novo” RH que podemos levar um programa que propõe reflexões sobre carreira e que tem como proposta de base abrir canais dentro da organização para que todos possam “conversar sobre sua carreira” uns com os outros, que isso possa ser uma prática inserida na cultura da organização, e ainda mais, passe a fazer parte do roll de “atribuições” dos gestores.

Para atender a esta demanda, nossa proposta é a de, portanto, inovar, abrir mentes e corações, explorar, provocar, repensar teorias, testar, dialogar. Estes elementos são a matéria-prima desta trabalho.

Autora: Maria Carlota de Toledo Moraes