Estou há quase um ano no meu atual trabalho e quero trocar de emprego, porque a equipe da empresa onde estou, com raríssimas exceções, é formada por profissionais pouco competentes. Isso acaba comprometendo meu desempenho, porque o trabalho que faço depende de outras áreas. E não é algo que vá mudar, porque a chefia não investe na capacitação das pessoas nem em um recrutamento mais adequado. A empresa também não remunera de acordo com o mercado, por isso acaba atraindo profissionais de “segunda linha”. Nesse cenário, o que eu digo ao recrutador quando ele questionar por que quero sair da atual empresa, onde entrei há menos de um ano?

Jornalista, 37 anos

Estamos vivendo a quarta revolução industrial, tema amplamente debatido nos principais fóruns mundiais. Aprofundando um pouco mais este tema, Segundo Klaus Schwab, autor do livro “A Quarta Revolução Industrial”, estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos.

Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes. Os novos poderes da transformação virão da engenharia genética, das neurotecnologias, nanotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D.

A revolução já mostra seus impactos no mercado de trabalho, onde o futuro do trabalho e a desigualdade de renda estarão na pauta de cada profissional. Somente sobreviverá quem tiver a capacidade de adaptação e inovação. Resistir a esta inexorável mudança é uma estratégia completamente equivocada para a carreira de qualquer um. Claramente algumas carreiras irão desaparecer e outras que nem conhecemos serão criadas. Quem não se preparar para este mundo no que se refere ao desenvolvimento de novas competências alinhadas com esta revolução, estará fora do mercado.

Sucesso profissional está intimamente ligado ao aprendizado contínuo de novas competências e habilidades ao longo da carreira. Por outro lado, líderes de grandes organizações precisam também alinhar o desenvolvimento da força de trabalho da sua organização de forma acelerada. É uma questão de sobrevivência. A compreensão da amplitude dessa mudança está totalmente ligada ao tema disrupção. Se esse tema não estiver na agenda de cada profissional, o mesmo estará na pauta de alguém que irá criar novos negócios disruptivos que farão empresas há anos estabelecidas desaparecerem.

Neste cenário, a tecnologia tem papel importante, mas profissionais preparados para criar e implementar novas formas de fazer a coisas farão toda diferença. A grande questão na sua empresa é que ela não tem talentos suficientes e provavelmente está caminhando para seu desaparecimento. Claramente a empresa em que você trabalha não consegue colocar em prática uma estratégia de força de trabalho que apoie sua estratégia de negócio.

Não se preocupe em ter uma resposta pronta para o recrutador, mas mostre este cenário mundial e como a empresa está preparada em termos de pessoas para enfrentar o hoje e o amanhã. Aproveite e faça o seu plano de desenvolvimento individual baseado nas competências mais demandadas nesta nova era.

Existem vários estudos publicados sobre estas competências. Destaco a capacidade de exercer a criatividade, flexibilidade, negociação, praticar o pensamento crítico, atuar na gestão de pessoas, criar conexões, abraçar novas ideias e focar no autodesenvolvimento alinhado com seus objetivos, mas também com este mundo em rápida evolução. Para dar um novo passo de carreira, monte um plano e seja muito criteriosa na avaliação do segmento de mercado, possíveis competidores disruptivos, turnover da empresa, etc.

Além desses dados que você consegue com certa facilidade, pesquise nos seus relacionamentos pessoas que já trabalharam ou conhecem alguém que já trabalhou na empresa. Nas entrevistas investigue os programas existentes em desenvolvimento de pessoas, além dos desafios que a posição irá lhe oferecer. E não mais importante, também esteja muito atenta quanto às competências do seu futuro gestor. A empresa estará a escolhendo mas você também deve saber escolhê-­la.

Foque em lugares que já acordaram para este novo mundo e com pessoas abertas a mudanças. Não esqueça de pesquisar muito a cultura organizacional, pois ela é também fator fundamental para você permanecer na empresa. Veja que não é hora de dar um passo em falso, principalmente porque você pretende permanecer por pouco tempo na empresa atual. Boa sorte e sucesso!

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Karin Parodi é fundadora e sócia­diretora do Career Center e presidente da Arbora Global.